É possível ter o diagnóstico logo no nascimento?

Paralisia cerebral é uma condição complexa e o diagnóstico nem sempre é um processo simples. Médicos podem suspeitar da paralisia cerebral se o bebê tiver algum atraso no desenvolvimento, tiver a musculatura muito rígida ou muito “mole” e se apresentar algumas posturas diferentes.

O tempo que leva para os pais receberem o diagnóstico oficinal de paralisia cerebral pode variar muito. Bebês muito prematuros geralmente são acompanhados mais de perto, por apresentarem um risco maior. Porém, muitas crianças com paralisia cerebral não nasceram prematuras e, portanto, o diagnóstico pode demorar mais.

A avaliação chamada “General Movements Assessment” (Avaliação dos Movimentos Gerais) é um instrumento que pode detectar, desde o nascimento até os 5 meses de idade, se o bebê tem alto risco de paralisia cerebral. No entanto, embora seja um instrumento muito eficiente e de baixo custo, não existe ainda no Brasil muitos profissionais qualificados para realizar tal análise. Mas, espera-se que, com o aumento das pesquisas indicando a eficácia desse método, mais profissionais se especializem em detectar a paralisia cerebral mais precocemente.

Em 2017, um grupo de pesquisadores estabeleceu que é possível se obter o diagnóstico de paralisia cerebral ou de alto risco para a mesma, antes mesmo dos 6 meses de idade. Segundo tal pesquisa, o ideal é se basear nos fatores de risco e histórico médico, seguido de:

  • Ressonância Magnética;
  • Genereral Movement Assessment (Análise dos Movimentos Gerais): para bebês com menos de 5 meses de idade corrigida;
  • Exame neurológico HINE (Hammersmith Infant Neurological Examination);
  • Avaliação do desenvolvimento: para bebês com mais de 5 meses de idade corrigida.

 

Fonte: Novak I, Morgan C, Adde L, et al; Early, Accurate Diagnosis and Early Intervention in Cerebral Palsy: Advances in Diagnosis and Treatment. JAMA Pediatr. 2017 Sep 1;171(9):897-907.